sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

____ Para se ler num piscar de olhos


Blink-A decisão num piscar de olhos” (Rio de Janeiro: Rocco, 2005, 254 páginas, tradução do Inglês por Nivaldo Montingelli Jr.) do jornalista britânico Malcolm Gladwell, que também escreveu outro bem-sucedido livro “Ponto de desequilíbrio”, apresenta linguagem coloquial e tom jornalístico típico do autor que está entre os mais influentes pensadores do mundo dos negócios.

A habilidade do jornalista em analisar e concatenar diversas pesquisas, livros, artigos e estudos de caso, transforma um assunto complexo em um texto de linguagem simples e concisa, o que faz de Blink uma obra que interessa ao público em geral. Essa habilidade é evidenciada pela não opção de privilegiar o julgamento rápido, pois afinal escreve sobre isso. O correlaciona, porém, com o julgamento baseado na ciência para a confirmação de que as duas formas de se basear decisões são necessárias e assim o texto fica bastante persuasivo.

A primeira impressão obtida ao ler a contracapa foi de que o livro se propõe a ser uma ferramenta para as pessoas que necessitam tomar decisões em curto espaço de tempo e com menos esforço, porém essas decisões exigem mais esforço do que utilizar de tecnologias sofisticadas como uma máquina de análise química, nelas são precisos anos de estudo e práticas para o desenvolvimento parcial desse tipo de intuição.

Em contrapartida a esse longo período de preparação, a atual era, da informação, as decisões devem ser tomadas em curto espaço de tempo. A sociedade que prega que se devem tomar decisões num piscar de olhos, porém, é a mesma que dificilmente aceita as que não foram baseadas em estudos científicos. Dentro desse contexto, surge o livro Blink que vem para defender o valor da tomadas de decisões imediatas.

Gladwell atinge todos os objetivos propostos na introdução, a considerar: o papel da experiência antes da tomada de uma decisão rápida; por serem tomadas em pouco tempo são falíveis e o aspecto de que a capacidade de avaliação pode ser desenvolvida por todos a ponto de se aperfeiçoarem os julgamentos rápidos.

O autor peca, no entanto, quanto a pouca efetividade da aplicabilidade em relação ao julgamento instantâneo para o leitor comum, o que possibilitaria, se mais aprofundado, o alcance do aprimoramento dessas qualidades para além dos especialistas das diversas áreas citadas no livro.

A obra indica que as tomadas de decisões são prejudicadas pelo excesso de informação. Por outro lado, a questão pungente nesse mundo atual de extensa quantidade de informação não é mais sua escassez, mas sim selecionar as informações fundamentais para a tomada de decisões. Evitando, portanto, a perda de tempo com o acúmulo de informações inúteis e de fontes dúbias que vieram com o avanço das tecnologias da informação. Devem-se selecionar precisamente informações, assim como o Gladwell fez quando escreveu o livro.