
“A Luneta Mágica” (Domínio Público, 1869) do médico e imortal da Academia Brasileira de Letras Joaquim Manoel de Macedo. Escreveu também “A Moreninha”, um grande sucesso do autor, obra que virou filme, tendo Sonia Braga como protagonista. Macedo foi jornalista, professor secundário, dramaturgo, mas foi como romancista que fez mais sucesso.

O livro retrata a ascensão da burguesia ao poder na época. A futilidade e o materialismo são destacados nesse romance cômico que dialoga com o mundo atual. A conjuntura econômica, os costumes populares e os cargos políticos recebem um traço real e revelador, muito provocador para os que detinham o poder na época.
O grande tema do livro é sem dúvidas, o olhar da mente, a interpretação psicanalista do que está no ambiente, de quem está ao lado. O título indica o instrumento responsável pela grande lição no final da história e, também, fonte de muitas escolhas alienadas.
Quando o protagonista Simplício compra uma luneta, monóculo muito usado pela burguesia na época, começa a ver o que há de pior nas pessoas e somente isso. O interesse na fortuna dele, pelos familiares, mostrou-se exagerado. Sentiu tristeza sendo desprezado pelo irmão que só queria usar a parte dele da herança.
Com a mesma luneta os insetos são verdadeiros monstros, as mulheres lindas são feias e vulgares, além de não amarem Simplício, mas seu dinheiro. O desgaste psicológico que sofre o protagonista o deprime ao ponto de querer desistir da própria vida, porém quando ia se matar sua luneta quebra, revelando o desastre que cometeria. Sem ver, Suplício volta ao misterioso vendedor de lunetas e adquire uma nova.
Agora se animou mais com a vida. Via mulheres feias e interessadas com uma roupagem de pureza e beleza. Os mendigos, os alcoólatras e as prostitutas precisavam de seu dinheiro e de suas doações. Seu irmão só queria cuidar do seu dinheiro, os insetos eram como borboletas buscando as flores. Assim perdeu muito dinheiro e só não foi para cadeia por causa das dívidas porque o irmão as quitou.
Sua vida não tinha tanta alegria como se mostrava por meio de seus olhos. Resolveu, então, se jogar do alto do corcovado. Antes de pular, porém, apareceu uma pessoa que brilhava e vestindo branco lhe impediu. Simplício escutou essa irradiante pessoa dizendo que não precisava abandonar a vida, mas a mesma só estava lhe dando uma lição.
Não deveria só olhar os defeitos dos outros, mas também não seria certo perceber apenas as qualidades. A solução seria ver a verdade e saber que todos são compostos de partes boas e más, de defeitos e de qualidades e que a beleza está no olho de quem vê.




