sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Bom Senso, a melhor das visões


“A Luneta Mágica” (Domínio Público, 1869) do médico e imortal da Academia Brasileira de Letras Joaquim Manoel de Macedo. Escreveu também “A Moreninha”, um grande sucesso do autor, obra que virou filme, tendo Sonia Braga como protagonista. Macedo foi jornalista, professor secundário, dramaturgo, mas foi como romancista que fez mais sucesso.

O livro retrata a ascensão da burguesia ao poder na época. A futilidade e o materialismo são destacados nesse romance cômico que dialoga com o mundo atual. A conjuntura econômica, os costumes populares e os cargos políticos recebem um traço real e revelador, muito provocador para os que detinham o poder na época.
O grande tema do livro é sem dúvidas, o olhar da mente, a interpretação psicanalista do que está no ambiente, de quem está ao lado. O título indica o instrumento responsável pela grande lição no final da história e, também, fonte de muitas escolhas alienadas.
Quando o protagonista Simplício compra uma luneta, monóculo muito usado pela burguesia na época, começa a ver o que há de pior nas pessoas e somente isso. O interesse na fortuna dele, pelos familiares, mostrou-se exagerado. Sentiu tristeza sendo desprezado pelo irmão que só queria usar a parte dele da herança.
Com a mesma luneta os insetos são verdadeiros monstros, as mulheres lindas são feias e vulgares, além de não amarem Simplício, mas seu dinheiro. O desgaste psicológico que sofre o protagonista o deprime ao ponto de querer desistir da própria vida, porém quando ia se matar sua luneta quebra, revelando o desastre que cometeria. Sem ver, Suplício volta ao misterioso vendedor de lunetas e adquire uma nova.
Agora se animou mais com a vida. Via mulheres feias e interessadas com uma roupagem de pureza e beleza. Os mendigos, os alcoólatras e as prostitutas precisavam de seu dinheiro e de suas doações. Seu irmão só queria cuidar do seu dinheiro, os insetos eram como borboletas buscando as flores. Assim perdeu muito dinheiro e só não foi para cadeia por causa das dívidas porque o irmão as quitou.
Sua vida não tinha tanta alegria como se mostrava por meio de seus olhos. Resolveu, então, se jogar do alto do corcovado. Antes de pular, porém, apareceu uma pessoa que brilhava e vestindo branco lhe impediu. Simplício escutou essa irradiante pessoa dizendo que não precisava abandonar a vida, mas a mesma só estava lhe dando uma lição.
Não deveria só olhar os defeitos dos outros, mas também não seria certo perceber apenas as qualidades. A solução seria ver a verdade e saber que todos são compostos de partes boas e más, de defeitos e de qualidades e que a beleza está no olho de quem vê.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Viva o João!



“Viva o povo brasileiro” (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, 673 páginas) do famoso e exímio escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro. Nascido na Ilha de Itaparica, Bahia, mesmo lugar em que a maioria dos personagens do livro passam suas aventuras. Ubaldo é membro da Academia Brasileira de Letras e ganhador da maior premiação para autores da língua portuguesa, o Prêmio Camões 2008. Também escreveu os livros “Sargento Getúlio”, “O sorriso do lagarto” e “A casa dos budas ditosos”, que causou uma série de polêmicas quando foi lançado.

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O autor tem seus livros publicados em várias partes do mundo, sendo traduzido pelo próprio. Anos atrás, quando Ubaldo passeava pelas Boulevards de Paris, prestara atenção ao seu livro na livraria. Lia, mas não gostava. Os traços não eram os mesmos. A partir daquele dia estava determinado que traduziria ele mesmo seus próprios livros. Sua fantástica habilidade com línguas estrangeiras levou-o ao sucesso internacional. Não havia nada igual. Nenhum escritor conhecido fazia esse tipo de trabalho, tão original e preocupado com os leitores.

O livro retrata o Brasil, envolvendo a história de quatro séculos (XVII ao XXI), do colonizado ao democratizado. Revela em aventuras ficcionais as raízes de um personagem sofrido, mas guerreiro, de tantas diferenças e sutilezas, maior que qualquer raça e superior do que qualquer preconceito, o povo brasileiro.
Colonizado pelos portugueses e pela igreja católica, o brasileiro vibrou nas pastagens, repletas de recém chegados europeus e africanos. A vibração teve seu efeito e não foi apenas nas mortes em combate índio x colonizador, também não foi no canibalismo dos nativos, mas sim na dignidade do povo.


Quantos portugais ainda vivem sobre o nosso Brasil, ou seria Brazil? A globalização surgiu já há algumas décadas, porém não cresceu tanto quanto nos últimos anos, desde as recentes inovações. Com a Internet é possível ficar bilionário em um dia, basta fazer um site inovador útil às pessoas, ou quem sabe encarar uma louca e moderna paixão on-line.


Na obra Ubaldo seleciona o colonizador e o escravizado negro para uma conversa. A autoridade, incontestável na época, daria direitos ao “senhor da terra”, porém a inteligência era do preto. Como assim? Ora se esperteza mede pelas obras, quem ganharia o status quo? O leitor, impressionado com tal feito, mergulhava na esfera da revanche, das vitórias realmente merecidas, das lutas contra o desrespeito ao, ainda não oficialmente conhecido, “Direitos Humanos”.
Na guerra das vaidades o índio vencia seu desejo por mostrar seus brilhos, o ouro que encobria seus corpos encheu o olho do colonizador. A liberdade sexual, a riqueza natural, a fraqueza perante as armas dos colonizadores e a ingenuidade dos índios deixaram os portugueses loucos de tanta luxúria e hedonismo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Atualidade de Romeu & Julieta

“Romeu & Julieta” (Objetiva, 132 páginas, tradução do Inglês por Fernando Nuno) do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare, autor de “Hamlet”, “Otelo, o Mouro de Veneza” e muitas outras obras, sendo uma das pessoas que mais influenciaram o mundo ocidental. Os textos e temas são considerados atuais e durante muitos anos são usados pelo teatro, cinema, televisão e literatura. As obras do autor se separam em três grandes grupos: comédias, tragédias e dramas históricos.

O livro é a primeira grande tragédia do autor, tem base em fatos reais ocorridos na própria cidade de Verona. A tragédia é uma forma de drama e, portanto, caracteríza-se pela seriedade e dignidade, além de envolver um conflito entre uma personagem e uma esfera maior, nesse caso representado pelo conflito entre as duas famílias, Montechcchio (de Verona) e Capuleto (de Cremona), e as vítimas Romeu e Julieta.
Escrito há mais de 400 anos, a obra destaca toda a magia e lirismo do texto shakespeariano, e pela consagração como a maior celebração do amor romântico de todos os tempos. A história ainda estão vivos e infuenciam diversas esferas de meios de comunicação e são estudados por pesquisadores das mais renomadas faculdades do mundo.


O livro conta a história de um amor proibido pelas famílias rivais, anteriormente citadas. A paixão e o medo, a rivalidade e o sentimento de pertencimento em um grupo, a vida e a morte, são um dos temas típicos da obra que apresenta dois jovens, referidos no títudo da obra, como protagonistas que nunca se rebelam diretamente, mas que no fim de suas existências serão os responsáveis pelo encerramento do tradicional conflito e, finalmente, do estabelecimento da amizade entre as duas famílias.
A obra está viva até hoje porque ainda há guerras que afetam inúmeras pessoas e, como sempre, oriundos de motivos banais. Não apenas entre grandes nações, mas também as guerras que não recebem grande destaque da mídia são muitas vezes mais perigosas e ,talvez, verdadeiros responsáveis pelos conflitos internacionais, são os confitos familiares e, aprofundando, os humanos. O ser humano não sabe as atrocidades que comete no seu interior quando renegam o direito de ser humano e o dever de não interromper a humanidade de outras pessoas. Ser humano é respeitar os Direitos Humanos, é não se vender para outras pessoas e nem desrespeitá-las, além de exercer a justiça e a dignidade.